A musa Daiana Pereira, da tradicional Nenê de Vila Matilde, foi um dos grandes destaques do desfile no Sambódromo do Anhembi ao surgir imponente neste domingo 15 de fevereiro com a fantasia “ A Rainha do Carteado” — uma verdadeira obra de arte que levou cerca de um mês para ser construída.

Mais do que um figurino luxuoso, a produção traduziu conceito, representatividade e força feminina em cada detalhe. Inspirada na boemia paulistana, a personagem trouxe para a avenida o universo dos jogos de cartas que marcaram gerações nos bares e esquinas da cidade.

Uma fantasia que conta história
O figurino foi pensado para representar a mulher estrategista, inteligente e protagonista — aquela que domina a mesa, conduz o jogo e ocupa seu espaço com autoridade.
As aplicações de cartas remetem a jogos tradicionais como bisca, truco e buraco, símbolos da convivência e da resistência cultural nas madrugadas paulistanas. A “rainha” não representa apenas sorte, mas estratégia e presença — características que dialogam com o protagonismo feminino em ambientes historicamente masculinos.

Cores que simbolizam poder
O impacto visual começou pela paleta marcante:
- Vermelho intenso: paixão, ousadia e poder.
- Preto: elegância e o mistério da noite.
- Dourado: luxo, vitória e imponência.
As penas exuberantes ampliaram a grandiosidade da personagem, enquanto a cartola reforçou o clima lúdico e boêmio. O resultado foi uma fantasia teatral, sofisticada e perfeitamente alinhada ao enredo da escola.

Luxo, artesanato e riqueza de detalhes
Cada elemento do figurino evidenciou o trabalho artesanal envolvido: pedrarias aplicadas manualmente, cartas cuidadosamente posicionadas, franjas douradas em movimento e acabamentos minuciosos que garantiram brilho intenso sob as luzes da avenida.
O mês dedicado à construção da fantasia foi visível na riqueza dos detalhes. Nada foi improvisado — tudo foi pensado para contar uma história e causar impacto visual do início ao fim do desfile.

Desempenho marcante na avenida
Se a fantasia já impressionava parada, em movimento ela ganhou ainda mais força. Daiana mostrou samba no pé, postura firme e domínio cênico. Sua performance traduziu exatamente a essência da personagem: confiança, elegância e presença.
Com sorriso seguro e olhar expressivo, ela interagiu com o público e manteve energia constante durante todo o percurso, valorizando ainda mais o conjunto visual. Sua atuação ajudou a reforçar o clima de celebração da memória cultural paulistana proposta pela escola.

Conexão com o enredo da Nenê
Dentro do desfile da Nenê de Vila Matilde, a “Rainha do Carteado” simbolizou a malandragem elegante, o samba das madrugadas e a resistência cultural que nasceu nas mesas de bar.
Historicamente, bares e esquinas sempre foram pontos de encontro de trabalhadores, sambistas e boêmios. Nesse cenário, o carteado fazia parte da convivência e da construção de histórias que atravessaram gerações. A personagem encarnada por Daiana representou exatamente essa força feminina presente na vida noturna da cidade.
Com imponência, luxo e uma atuação segura, Daiana Pereira transformou sua passagem pela avenida em um verdadeiro espetáculo — provando que, no jogo do Carnaval, quem tem estratégia, brilho e personalidade sempre sai vencedora.
Instagram: https://www.instagram.com/dai.pereira.oficial/
– Ateliê: Adriano Moran
– Fotos: J. Domingos

